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Muito além da pneumonia: frio intenso no RS aumenta riscos de infarto, AVC e isolamento social entre idosos

Publicado 15/06/2026 às 09:17

Quando as temperaturas caem, a preocupação com a saúde dos idosos geralmente se concentra em doenças respiratórias, como gripes e pneumonias. No entanto, especialistas alertam que o inverno também traz riscos menos visíveis, mas igualmente graves, especialmente relacionados à saúde cardiovascular, à mobilidade e ao bem-estar emocional.

De acordo com o professor de Geriatria da Afya Porto Alegre, Dr. Milton Santos, o frio intenso pode favorecer o surgimento de infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) devido à vasoconstrição, mecanismo natural do organismo que reduz o calibre dos vasos sanguíneos para conservar o calor corporal.

“Essa redução de calibre dos vasos mediada pelo frio não acontece apenas nas articulações; ela também pode contribuir para a ocorrência de infartos e AVCs durante o inverno”, explica o especialista.

Segundo ele, pessoas idosas já apresentam, com frequência, algum grau de aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de gordura nas artérias. Com a associação entre o estreitamento dos vasos provocado pelo frio e a redução da circulação sanguínea, aumenta o risco de obstruções no coração e no cérebro.

Dores articulares podem levar ao isolamento

Além dos riscos cardiovasculares, o inverno costuma agravar dores musculares e articulares. O frio provoca contração dos músculos e tecidos que compõem as articulações, aumentando a sensibilidade e dificultando a mobilidade.

“O frio rigoroso reduz a circulação sanguínea, especialmente nas extremidades e articulações. Isso aumenta a dor e gera uma dificuldade real de movimentação”, afirma o geriatra.

A limitação física, por sua vez, pode desencadear um efeito em cadeia. Com mais dor e menos disposição para sair de casa, muitos idosos reduzem o convívio social, favorecendo o isolamento e prejudicando a saúde mental.

Desidratação silenciosa preocupa especialistas

Outro fator de atenção durante os meses mais frios é a desidratação. A sensação de sede, que naturalmente já é menor entre idosos, tende a diminuir ainda mais no inverno.

Segundo o especialista, a baixa ingestão de líquidos, somada ao uso de medicamentos como diuréticos e às alterações vasculares provocadas pelo frio, pode aumentar significativamente o risco de complicações graves.

“Se o idoso toma pouca água, tem aterosclerose e é submetido ao frio rigoroso, os riscos de um evento cardiovascular aumentam drasticamente”, alerta.

Medidas simples ajudam na prevenção

Para reduzir os impactos do inverno na saúde da população idosa, o médico recomenda manter uma boa hidratação, mesmo sem a presença de sede, priorizando água, chás, caldos e sopas.

Também é importante utilizar roupas adequadas para proteger o corpo do frio, manter a higiene frequente das mãos para prevenir infecções respiratórias e evitar ambientes completamente fechados, garantindo a circulação do ar.

Além dos cuidados físicos, o especialista destaca a importância de estimular o convívio social durante os meses mais frios.

“Nos meses de inverno, os dias são mais curtos e as pessoas tendem a permanecer mais tempo em casa. Esse isolamento pode afetar negativamente a saúde mental, agravando problemas cognitivos, físicos e emocionais”, conclui.

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