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Castelinho de Erechim: autoridades detalham importância histórica, fiscalização da obra e cronograma de restauração

Publicado 14/07/2026 às 02:48

Entrevista na Rádio Difusão reuniu representantes do Ministério Público, Prefeitura, Arquivo Histórico e equipe técnica responsável pelo restauro do principal patrimônio histórico de Erechim

O processo de restauração do Castelinho de Erechim, um dos mais importantes patrimônios históricos do Alto Uruguai, foi tema de uma entrevista especial na Rádio Difusão. Participaram da conversa o promotor de Justiça Fabrício Allegretti, o secretário municipal de Cultura, Esporte e Economia Criativa Wallace Soares, o coordenador do Arquivo Histórico Municipal Henrique Trizzoto e a arquiteta responsável pelo projeto de restauração Ariane Pedrotti.

Durante o programa, os convidados abordaram a relevância histórica do prédio, os mecanismos de fiscalização da obra, a aplicação dos recursos públicos e o cronograma previsto para a conclusão dos trabalhos.

Um patrimônio que conta a história da região

O historiador Henrique Bertozzo destacou que falar do Castelinho é falar da própria formação da região do Alto Uruguai.

Segundo ele, o prédio foi construído entre 1912 e 1915 e passou a sediar a Comissão de Terras da Colônia Erechim, órgão responsável pela organização e distribuição das terras aos primeiros colonizadores.

“O Castelinho é muito mais do que um prédio público. É um símbolo da história regional. Foi ali que milhares de famílias deram início às suas trajetórias e construíram as comunidades que hoje formam praticamente toda a região da Amau”, explicou.

Henrique ressaltou ainda que, dos antigos escritórios das Comissões de Terras existentes no interior do Rio Grande do Sul, restam apenas dois. O Castelinho de Erechim é o único com tombamento histórico e arquitetônico devido à sua singularidade construtiva.

Preservar a história é responsabilidade coletiva

O secretário Wallace Soares afirmou que preservar o patrimônio histórico também passa pelo conhecimento da população sobre sua própria história.

Segundo ele, muitas críticas ao investimento em patrimônio decorrem do desconhecimento sobre a importância cultural do imóvel.

“O Castelinho pertence à história de Erechim e de toda a região. É um patrimônio público que representa a origem de dezenas de municípios. Precisamos incentivar cada vez mais o acesso à informação para que as pessoas compreendam o valor desse legado.”

Wallace destacou que a preservação do patrimônio foi definida como prioridade desde o início da atual gestão.

“Quando assumimos a Secretaria, colocamos um quadro do Castelinho em um local de destaque justamente para lembrar diariamente da responsabilidade de buscar recursos para sua recuperação.”

Obra possui fiscalização em diversas frentes

O promotor de Justiça Fabrício Allegretti explicou como ocorre o acompanhamento da aplicação dos aproximadamente R$ 6,5 milhões destinados à restauração.

Segundo ele, o contrato firmado com o Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL) prevê fiscalização permanente.

Além do servidor designado pelo Ministério Público para acompanhar tecnicamente a execução financeira e documental da obra, o próprio promotor realiza visitas periódicas ao local.

“O acompanhamento é rigoroso. Existe fiscalização sobre cada etapa da execução, análise das planilhas, prestação de contas, visitas técnicas e acompanhamento permanente da aplicação dos recursos.”

Allegretti lembrou que, após os danos causados pelo temporal de granizo, houve uma mobilização conjunta entre Ministério Público e Município para sensibilizar o Conselho Gestor do Fundo quanto à necessidade urgente da restauração.

Segundo ele, o projeto elaborado para Erechim acabou servindo como referência para mudanças adotadas posteriormente nos editais do próprio fundo estadual.

Prestação de contas é permanente

A arquiteta Aiane Pedrotti explicou que o controle da obra vai além do Ministério Público.

A restauração também é acompanhada pelo Tribunal de Contas, por meio do sistema Licitacon Obras, pela comissão municipal criada especificamente para acompanhar os trabalhos e pelos órgãos de preservação do patrimônio histórico.

Toda a documentação, incluindo medições, fotografias, planilhas financeiras, cronogramas e etapas executadas, é enviada periodicamente aos órgãos responsáveis.

Obra segue dentro do cronograma

Aiane informou que o prazo previsto para conclusão da restauração é de 24 meses.

Mesmo diante das dificuldades provocadas pelo período chuvoso, os trabalhos seguem praticamente sem interrupções.

Segundo ela, desde o início da obra houve apenas poucos dias de paralisação total.

A empresa responsável é da região e conta com profissionais especializados em restauração de patrimônio histórico, utilizando técnicas específicas para recuperação da estrutura original em madeira.

Já os demais serviços, como instalações elétricas, hidráulicas e outras etapas da construção, contam com contratação de mão de obra local.

Castelinho permanece fechado há mais de uma década

Durante a entrevista, Wallace Soares informou que o Castelinho está fechado para visitação e uso público há cerca de 13 anos.

Ele lembrou que, nas últimas três décadas, o imóvel passou por apenas uma intervenção significativa, realizada entre 2013 e 2014.

Segundo o secretário, isso demonstra a necessidade da atual restauração completa, considerada a maior já realizada no prédio.

Ao final da entrevista, os participantes reforçaram que a recuperação do Castelinho representa não apenas a preservação de um edifício histórico, mas também o resgate da memória e da identidade cultural de Erechim e de toda a região do Alto Uruguai.

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