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500 anos depois, pesquisadores respondem perguntas de Leonardo da Vinci sobre estruturas do coração

Publicado 16/09/2020 às 11:52

*Por Cristiane Bomfim, da Agência Einstein

Autor de obras mundialmente famosas como Mona Lisa e A Última Ceia, o italiano Leonardo da Vinci tinha talentos que extrapolavam a arte. Seus interesses permeavam áreas como a matemática, arquitetura, engenharia, botânica e anatomia. Foi ele quem fez os primeiros esboços e perguntas sobre o funcionamento de uma complexa rede de fios musculares que revestem a superfície interna do coração humano. Perguntas essas que só agora, mais de 500 anos depois, começam a ser respondidas por uma pesquisa realizada pelo Instituto Europeu de Bioinformática com a colaboração de cientistas de outros cinco centros de pesquisa na Europa.

Localizadas no interior dos ventrículos direito e esquerdo do coração, as estruturas são chamadas trabéculas e, no século 16, Leonardo da Vinci as desenhou em forma de flocos de neve. Na época, ele especulou que sua principal função era aquecer o sangue enquanto ele circulava no órgão. Agora, pesquisadores descobriram que elas são importantes para que o fluxo intraventricular do sangue seja eficiente indicando que sua superfície áspera seja o principal fator para a fluidez durante os batimentos.

Para fazer a associação com doenças cardíacas, os pesquisadores analisaram informações genéticas de 47.309 pacientes com idade entre 40 e 69 anos de todo o Reino Unido e compararam com mais de 900 mil casos controle, além de imagens de ressonância magnética e o uso de inteligência artificial. Com isso, identificaram que diferentes padrões fractais (frações geométricas com cópias idênticas de si mesmo em versões menores) estão relacionados a doenças cardíacas. O formato e tamanho podem sugerir maior ou menor risco de insuficiência cardíaca.

O estudo destacou ainda seis pontos (chamados locus) do DNA humano que estão diretamente ligados ao desenvolvimento dos padrões dessas fibras musculares. Os principais deles estão associados à pressão sanguínea e à anatomia cardíaca.

“Só agora começamos a entender como as trabéculas são importantes para a saúde humana. Este trabalho oferece uma nova direção estimulante para a pesquisa sobre insuficiência cardíaca, que afeta quase 1 milhão de pessoas no Reino Unido”, disse Declan O’Regan, cientista clínico e radiologista consultor do MRC London Institute of Medical Sciences, um dos participantes da pesquisa. No Brasil, de acordo com estimativas, 2,8 milhões sofrem com a doença.

 

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