Em ótima companhia em qualquer lugar
Rádio Difusão, a sua melhor escolha
Sintonize conosco e fique por dentro de tudo
Ouça os melhores lançamentos musicais
Flash Back
Apresentação
J. Carlos Nicolai
Mensageiro Gaúcho
Amílton Drews

Com destaque para a soja, exportações do agronegócio gaúcho crescem 59,5% no terceiro trimestre de 2021

Publicado 10/11/2021 às 07:23

Valor comercializado foi o maior da série histórica iniciada em 1997
Foto: José Fernando Ogura/ANPr

As exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul atingiram US$ 4,8 bilhões no terceiro trimestre de 2021, uma alta de 59,5% em valor em relação ao mesmo período do ano anterior.

Em termos nominais, sem considerar a inflação, o valor exportado no período foi o maior de toda a série histórica, iniciada em 1997, superando a marca anterior, registrada no terceiro trimestre de 2013. Em termos absolutos, o incremento nas vendas de julho a setembro foi de US$ 1,8 bilhão.

Entre os setores mais representativos do agronegócio no Estado, o complexo soja registrou vendas de US$ 2,9 bilhões no período, 60% do total comercializado no segmento, uma alta de 105,1% na comparação com igual período de 2020.

As informações sobre as exportações no terceiro trimestre e o acumulado do ano fazem parte do boletim Indicadores do Agronegócio do RS, divulgado na manhã desta quarta-feira (10) pelo DEE (Departamento de Economia e Estatística), vinculado à SPGG (Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão), e elaborado pelos analistas Rodrigo Feix e Sérgio Leusin Júnior.

A produção recorde da oleaginosa em 2021, em contraste com a estiagem que prejudicou o cultivo no ano passado, é uma das explicações para o desempenho no período. “Uma parcela significativa do crescimento observado é explicada pelo retorno à média dos níveis de produtividade da safra de 2021, somada à variação nos preços médios do produto em dólar, fruto da dinâmica do mercado internacional”, explica Leusin Júnior.

Setores e principais destinos

Além do complexo soja, os setores de carnes (US$ 645,4 milhões; +25,1%), produtos florestais (US$ 461,9 milhões; +101,1%), couros e peleteria (US$ 115,8 milhões; +52,3%) e máquinas agrícolas (US$ 106,7 milhões; +59,4%) apresentaram desempenho positivo no terceiro trimestre, enquanto fumo e seus produtos (US$ 249,4 milhões; -29,9%) e cereais, farinhas e preparações (US$ 112,9 milhões; -27,5%) registraram baixas nas vendas.

No complexo soja, a alta no trimestre é explicada pelas vendas do grão (mais US$ 1,3 bilhão; +112,1%), do farelo (mais US$ 98,4 milhões; +42,9%) e do óleo (mais US$ 85,5 milhões; +393,6%). No setor de carnes, as exportações de carne de frango (mais US$ 86,4 milhões; +38,7%) e carne suína (mais US$ 29,5 milhões; +17,7%) sustentaram o resultado. Nos produtos florestais, o desempenho da celulose (mais US$ 183,6 milhões; +125%) foi o principal responsável pelos números positivos.

Entre as baixas, o arroz puxou a queda nos números do setor de cereais, farinhas e preparações (menos US$ 54,7 milhões; -37,3%), e o fumo não manufaturado (menos US$ 86,8 milhões; -28,1%) foi o responsável pelo desempenho negativo da indústria fumageira.

Em relação aos principais destinos das exportações, a China segue na liderança, responsável por 56,7% de tudo que o agronegócio do Rio Grande do Sul vende para outros países. A nação asiática registrou um crescimento absoluto de US$ 1,3 bilhão (+93,5%). A sequência do ranking é composta pela União Europeia (10,2%), Estados Unidos (4,1%), Coreia do Sul (2,3%) e Emirados Árabes Unidos (1,7%). Esses cinco destinos são responsáveis por 75% do total das vendas.

Acumulado do ano

Entre janeiro e setembro de 2021, as exportações do agronegócio gaúcho somaram US$ 11,5 bilhões, o que correspondeu a 74,0% do total exportado pelo Rio Grande do Sul no período. Em relação aos nove primeiros meses do ano passado, a alta chegou a 42,7% em valor, o que representa um incremento de US$ 3,4 bilhões em termos absolutos.

Quanto aos setores do segmento, o complexo soja (US$ 6,1 bilhões), carnes (US$ 1,8 bilhão), produtos florestais (US$ 1,1 bilhão), fumo e seus produtos (US$ 849,7 milhões) e cereais, farinhas e preparações (US$ 458,6 milhões) foram os principais destaques.

O complexo soja novamente foi o responsável pelo maior crescimento (mais US$ 2,5 bilhões; +70,7%), seguido de produtos florestais (mais US$ 401,3 milhões; +60,1%) e carnes (mais US$ 310,4 milhões; +21,2%).

Entre os produtos específicos de venda, a soja em grão (mais US$ 2,0 bilhões; +69,2%), farelo de soja (mais US$ 325,9 milhões; +58,4%) e celulose (mais US$ 277,7 milhões; +62,9%) avançaram em comercialização. Na contramão da tendência, o arroz (menos US$ 155,0 milhões; -40%) registrou a principal queda.

“Até setembro o Rio Grande do Sul exportou um volume equivalente a 60% da produção de soja colhida no território. Nos próximos meses, a comercialização irá concorrer em concorrência com a soja norte-americana, o que pode gerar pressões nos preços no mercado internacional”, destaca Leusin.

Quanto ao destino das exportações do agronegócio nos nove primeiros meses do ano, a China permanece líder com alta de 64,8% nas compras gaúchas, o que representou 52,2% do total comercializado pelo Rio Grande do Sul. A lista segue com a União Europeia (11%), Estados Unidos (3,9%), Coreia do Sul (3,2%) e Arábia Saudita (1,9%). Os cinco destinos representam 72,2% do total.

Emprego formal

O Rio Grande do Sul registrou saldo negativo de 3.264 postos de trabalho com carteira assinada no agronegócio no terceiro trimestre de 2021. Como tradicionalmente ocorre, o resultado é reflexo da sazonalidade da produção agrícola gaúcha e das atividades da indústria ligada ao segmento. No mesmo período de 2020 a redução foi de 1.137 empregos.

“O segundo e o terceiro trimestres são marcados pela desmobilização parcial da mão de obra admitida por tempo determinado nos primeiros meses do ano para a safra de verão. Em 2021, refletindo a recuperação da produção agrícola, a contratação de trabalhadores temporários foi maior no primeiro trimestre e isso ajuda a explicar a maior perda de empregos nos últimos meses”, analisa Feix.

Considerando os três segmentos que constituem o agronegócio, “antes”, “dentro” e “depois” da porteira, a maior perda foi registrada no segmento “depois da porteira”, composto por atividades agroindustriais. O resultado é explicado principalmente pela dinâmica da indústria do fumo que registrou saldo negativo de 8.306 postos de trabalho entre julho e setembro.

O segmento “antes da porteira”, formado por atividades de fornecimento de insumos, máquinas e equipamentos, teve saldo positivo de 1.807 postos, e o “dentro da porteira”, constituído pelas atividades agropecuárias, registrou criação de 702 empregos formais no período.

Ao final do terceiro trimestre de 2021, o agronegócio contava com 353.553 vínculos ativos de emprego com carteira assinada no Rio Grande do Sul. No acumulado do ano, entre janeiro e setembro, o setor registrou saldo positivo de 16.774 empregos, um aumento em relação ao mesmo intervalo de 2.020 (+7.760 postos). Considerando o conjunto da economia gaúcha (mais 132.646 postos), o agronegócio foi responsável por 13% do saldo de empregos formais criados entre janeiro e setembro.

por O Sul