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Os 50 anos do Colosso da Lagoa
– Jornadas inesquecíveis, por José Adelar Ody

Publicado 4/09/2020 às 12:56
Foto aérea durante o jogo Santos x Grêmio, em 2 de setembro de 1970  |   Imagens: Acervo YFC

Foto aérea durante o jogo Santos x Grêmio, em 2 de setembro de 1970 | Imagens: Acervo YFC

Em homenagem aos 50 anos da inauguração do Estádio Colosso da Lagoa, em Erechim (RS), comemorado no dia 2 de setembro, o Ypiranga Futebol Clube está publicando (até domingo, 6) uma série de textos assinados pelo jornalista José Adelar Ody. São aspectos históricos e pitorescos que resgatam as memórias de quem viveu aquele período. Os dois primeiros deles foram divulgados nos dias 31 de agosto e 1º de setembro, e o terceiro na quarta-feira, dia 2. O site da Rádio Difusão está compartilhando a série na íntegra. Leia a seguir.

(Dia 3)
Jornadas inesquecíveis, por José Adelar Ody
O Colosso da Lagoa foi palco de jornadas inesquecíveis. O primeiro gol teve a assinatura do rei do futebol, Pelé. O desfile de astros no festival de inauguração com Grêmio e Internacional. A goleada no primeiro clássico Atlanga. O fechamento do futebol em 1977 e o retorno em 1981. As históricas conquistas da Divisão de Acesso em 1989, 2008, 2014 e 2019. (Em 1967 o Ypiranga foi campeão do Acesso – mas ainda residia na Montanha). Quatro clássicos Grenal foram jogados no Colosso da Lagoa. O jogo da pancadaria com o Gaúcho (PF) no dia 13 de novembro de 1973. Fatos que marcaram o estádio. Certa feita, algumas placas em bronze no hall de entrada foram roubadas, exigindo refazer as obras, relíquias da história do estádio.

Equipe do Internacional posa para foto nas sociais do Colosso em 6 de setembro de 1970

Equipe do Internacional posa para foto nas sociais do Colosso em 6 de setembro de 1970

Colosso lotou no Cinquentenário
O dia mais bonito do Colosso da Lagoa – mais do que a data da sua inauguração – pode ter sido a tarde do domingo de 18 de agosto de 1974. O Ypiranga F.C. completava 50 anos. Em jogo pelo campeonato gaúcho, o Inter bateu o Ypiranga por 2 a 0.

Uma hora antes do início da partida o estádio estava lotado. Porteiros e o policiamento tiveram dificuldades para controlar o acesso do público. Foram vendidos quase 25 mil ingressos. O público total pode ter sido bem superior. Ninguém nunca soube ao certo. Foi a primeira e única vez que o Colosso da Lagoa ficou completamente lotado.

O 1º Atlanga no Colosso teve goleada
Era 20 de setembro de 1970. Data Farroupilha. O técnico Ivo Barbieri acertou o time do Ypiranga e venceu fácil o tradicional adversário: 4 a 1. Os gols foram marcados por Ademir Gallo, aos 14, e Téio, aos 20 minutos do 1º tempo. Borjão, aos 15, e aos 45 completou a goleada. Ciro fez o gol de honra do verde-rubro aos 27 do 2º tempo. Antes do início da partida foram prestadas homenagens ao velho estádio da Montanha, com os juvenis do Ypiranga conduzindo uma chama simbólica. Foram hasteados os pavilhões dos três tradicionais clubes de Erechim por Hermes Campagnolo (Ypiranga), Eolo Arioli (Atlântico) e Rolfe Domingues (14 de Julho). Era 20 de setembro – data Farroupilha.

Entrega de carro no Festival de Prêmios para a Construção do Colosso

Entrega de carro no Festival de Prêmios para a Construção do Colosso

Os times
Ypiranga: Valdir; Osmar, Mugica, Plinio e Cláudio; Arli e Ariovaldo; Téio, Borjão, Cafuringa (Tonho) e Ademir Gallo (Rui).
Atlântico: Nelson; Nilson, Giaretta, Dias e Fenker (Beto); Tomasi e Cláudio (Charuto); Fermino, Ciro, Pedruca e Parizzon (Machado).
Árbitro: Élio Nepomuceno.

Da bilheteria da montanha à comissão de obras do Colosso
Elesio Passuello, do alto dos seus 98 anos de idade, é o único remanescente dos dez homens das duas comissões que comandaram todo o processo de construção do estádio. Ele pertencia à Comissão de Finanças. No Café da Galeria Imigrantes, ele fez uma parada em sua tradicional caminhada diária (medida em quadras e não em tempo), para recordar um pouco sobre ele e o Ypiranga.

Nascido em 21 de agosto de 1922 (dois anos antes da fundação do Ypiranga F.C., que é de 18 de agosto de 1924), Elesio Passuello veio ao mundo quando Erechim se chamava Boa Vista (entre 30 de abril de 1918 a 7 de setembro de 1922). Lembra que até 1936 viveu com a família em outras cidades até retornarem, em definitivo, para Erechim, então, Boa Vista do Erechim. Nesse tempo o clube já tinha 12 anos.

Trabalhando em uma agência bancária da cidade, começou a frequentar o Ypiranga, especialmente na área social. Logo virou ecônomo e dirigia a copa da sede na Rua Alemanha, que foi consumida por um incêndio (segundo informações do senhor Ivo Barbieri, o incêndio ocorreu em 1960). Depois largou tudo para trabalhar com o irmão em um Posto de Combustíveis, a partir de 1948. “Mas sempre estive na diretoria ou na copa do Ypiranga”, recorda, tentando reencontrar-se no próprio tempo, que não volta mais, mas no qual ele esteve. “Fazia qualquer coisa no clube. Se faltava um na bilheteria, eu ia”, lembra.

Sobre os planos de construção do Estádio Olímpico lembra que as reuniões eram semanais e sempre no clube. “Todo mundo era amigo. Todo mundo ajudava. Não havia vaidades naquele grupo. A parte social e esportiva eram tudo Ypiranga”, reforça.

Também destaca que não perdia partidas. Quando foi lançado o plano de títulos para a construção do estádio com direito de concorrer a prêmios, “eu também vendia, mas só aqui na cidade”.

À medida que a conversa evoluía, Elesio Passuello foi se soltando e se lembrando de mais coisas: “Parece que a área (onde está o Colosso da Lagoa) foi comprada de um polonês de Carlos Gomes. Eu era fanático pelo clube. Não sabia perder. Na época o estádio virou um cartão postal de cidade”. Ele recorda que, na escolha da área, havia três opções: a primeira era construir no mesmo local onde estava o Estádio da Montanha; a segunda era no final da Rua Alemanha, próximo a um frigorífico, e a terceira, a que foi escolhida”.

Hoje, Elesio Passuello não vai mais ao futebol e, com isso, o Colosso da Lagoa, que ele ajudou a construir, não faz mais parte do seu cotidiano. Único vivo de nove irmãos, Elesio deita-se, no máximo, às 22h e acorda às 8h. Às 9h, depois do café, está pronto para sua caminhada matinal. Às 11h volta para casa onde vive com sua companheira Maria. Depois do almoço tira uma soneca rápida e sai de novo para jogar canastra com amigos em um clube da cidade e, depois, nova caminhada. “Faço de 30 a 40 quadras por dia”, finaliza reportando que, para a construção do Colosso da Lagoa, todos trabalharam bastante, mas destaca o presidente da época, Oscar Abal. “Trabalhou muito o Abal”.

Os 50 anos do Colosso da Lagoa
Dia 4

Jornal A Voz Da Serra  | Imagens: Arquivo Municipal.

Jornal A Voz Da Serra | Imagens: Arquivo Municipal

Como a data oficial de inauguração do Colosso da Lagoa foi dia 6 de setembro – deixaremos os jogos desse dia para sair aqui neste espaço no dia 6. Também no dia – a primeira partida do Ypiranga em seu novo estádio. Assim, anteciparemos para hoje, o jogo do dia 9 de setembro de 1970, entre Cruzeiro (MG) e Independiente (ARG) que foi o último do festival de inauguração.

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Jornal A Voz da Serra

O 3º jogo  –  Cruzeiro 3 x 0 Independiente
O Santos tinha Pelé o maior jogador do mundo em todos os tempos. O Botafogo tinha Jairzinho o goleador da Copa do Mundo e jogador infernal para as defesas adversárias. Mas o Cruzeiro contava com uma verdadeira academia de jogadores de futebol. Wilson Piazza, Zé Carlos, Dirceu Lopes e Tostão, quatro craques do mais alto nível e, cada um no auge das suas carreiras, mostraram, sem nenhuma dúvida, o melhor futebol, o futebol mais vistoso que um time já apresentou em 48 anos de Colosso da Lagoa. Muito provavelmente jamais se repita uma equipe com aquele nível de organização, futebol coletivo tocado em pressa e com segurança como uma orquestra onde todos os músicos sabem das suas virtudes individuais e do colega ao lado. Foi um futebol de uma técnica refinada que o Colosso da Lagoa nunca mais testemunhará. Ali, com o Cruzeiro daqueles craques inesquecíveis, estava justificado o preço do carnê de ingresso.

O time cruzeirense tinha pela frente o campeão da Libertadores da América e uma equipe temida no continente sul-americano. O Independiente da Argentina de Medina, Bertoloto, Caristo e Butijo.

Em um lance do ponteiro Hilton Oliveira, ele chegou na linha de fundo e cruzou. Tostão entrou correndo e com um toque de classe fez 1 a 0. Logo depois, Hilton Oliveira levantou para a área. Tostão finalizou no travessão, mas Dirceu Lopes aproveitou o rebote e de cabeça ampliou. Sempre Tostão, outra vez arrancou contra a zaga do Independiente e passou para Evaldo cara a cara com o goleiro que fez o clássico 3 a 0.
Os times:
Cruzeiro: Nego; Pedro Paulo (Lauro), Brito, Fontana (Rodrigues) e Vanderlei; Wilson Piazza, Zé Carlos e Dirceu Lopes; Evaldo, Tostão e Hilton Oliveira.
Independiente: Medina (Santoro), Mojes, Figueroa, Bertoloto e Pavonea; Caristo e Adorno; Critioni, Butijo, Ia Hiachelo e Demário.
Árbitro: José Cavalheiro de Moraes.

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