Prova de Eficiência Alimentar terá iniciativa inédita de controle de impacto ambiental
A próxima edição da Prova de Eficiência Alimentar (PEA) trará um avanço importante para a pecuária brasileira: pela primeira vez, será realizada a medição simultânea da emissão de metano dos bovinos, ampliando o controle do impacto ambiental da atividade.
Promovida pela Associação Brasileira de Angus, a prova ocorre na sede da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé, e reunirá 43 animais até a próxima quinta-feira (19). Do total, serão 26 da raça Angus e 17 Ultrablack, que participa pela primeira vez da atividade.
Tecnologia mede emissão de metano em tempo real
A principal inovação desta edição será o uso do sistema GreenFeed, tecnologia que permite medir o metano emitido pelos bovinos durante atividades como alimentação, ruminação e eructação.
A análise desse gás é fundamental para avaliar o impacto climático da pecuária e, ao mesmo tempo, aprimorar a eficiência produtiva dos animais. Com a nova metodologia, será possível relacionar diretamente o desempenho dos bovinos à quantidade de metano emitida — algo que antes era feito apenas após a conclusão da prova.
Segundo o médico veterinário e analista da Embrapa, Álvaro da Fonseca Neto, existe uma tendência de que animais mais eficientes emitam menos metano, mas a avaliação individual é essencial para confirmar essa relação.
Eficiência alimentar impacta custos e produtividade
Entre os principais indicadores analisados estão:
consumo alimentar residual
ganho de peso residual
conversão alimentar
consumo de matéria seca
Esses dados permitem identificar animais que produzem mais consumindo menos, reduzindo custos — especialmente com alimentação, que representa a maior despesa da atividade — e aumentando a rentabilidade.
Além disso, a seleção de bovinos mais eficientes contribui diretamente para o melhoramento genético do rebanho, já que essas características podem ser transmitidas às próximas gerações.
Novidades ampliam bem-estar e qualidade dos dados
A edição deste ano também traz outras inovações importantes. Pela primeira vez, será realizada uma avaliação ortopédica completa dos cascos dos animais antes do início da prova.
O procedimento será conduzido por especialista, com possibilidade de correções durante o período de adaptação, garantindo melhores condições de bem-estar e desempenho dos bovinos.
Outro destaque é a estreia da raça Ultrablack na PEA, ampliando o conhecimento técnico e genético sobre esses animais.
Banco de dados fortalece a pecuária do futuro
De acordo com o presidente do Conselho Deliberativo Técnico da associação, Luis Felipe Cassol, a prova contribui para a formação de um banco de dados cada vez mais robusto sobre eficiência alimentar.
Essas informações são essenciais para o desenvolvimento de ferramentas genômicas capazes de identificar precocemente animais superiores, acelerando o avanço da pecuária.
Impacto direto no mercado
Os resultados das últimas edições já mostram reflexos concretos no setor. Somente no último ano, cerca de 15 mil doses de sêmen de touros avaliados foram produzidas para programas de melhoramento genético, além da contratação de reprodutores por centrais de inseminação.
A expectativa é que a ampliação das provas fortaleça ainda mais a seleção de animais mais eficientes, produtivos e alinhados às exigências ambientais da pecuária moderna.
Cronograma
Período de adaptação: inicia em 20 de março
Início das avaliações: 10 de abril
Encerramento: 19 de junho