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Textos de José Adelar Ody resgatam a memória dos 50 anos do Colosso da Lagoa

Publicado 1/09/2020 às 06:31

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Em homenagem aos 50 anos da inauguração do Estádio Colosso da Lagoa, em Erechim (RS), comemorado no dia 2 de setembro, o Ypiranga Futebol Clube está publicando (até domingo, 6) uma série de textos assinados pelo jornalista José Adelar Ody. São aspectos históricos e pitorescos que resgatam as memórias de quem viveu aquele período. Os dois primeiros deles foram divulgados nesta segunda-feira, 31 de agosto, e terça, 1º de setembro, e o site da Rádio Difusão vai compartilhar a série na íntegra. Leia a seguir.

Série ‘Os 50 anos do Colosso da Lagoa’, por José Adelar Ody  |  Texto 1

“Meio século depois de ser inaugurado, o Colosso da Lagoa, estádio do Ypiranga FC ainda permanece como um dos principais cartões postais da cidade. Em 2 de setembro de 1970 quando recebeu a primeira partida e o ‘rei do futebol’, o estádio ganhou fama por ter a capacidade para abrigar quase toda a população da cidade. O estádio foi orçado em Cr$ 1.250.000,00 (Um bilhão, duzentos e cinquenta milhões de cruzeiros), segundo documento enviado pelo presidente da Comissão Central, dr. Gladstone Osório Mársico, em dezembro de 1966 ao delegado regional do Imposto de Renda em Passo Fundo. Ele possui mais de 100 metros de pavilhão com 1300 cadeiras especiais. As arquibancadas foram projetadas para 21 degraus com cerca de 500 metros lineares cada um.

Tudo começou por volta de 1963. Um grupo de dirigentes recebeu e debateu a ideia de construção de um estádio. O empresário Dionísio Sganzerla chegou a Erechim, criou uma empresa de comercialização de títulos e sorteio de carros. Cem sócios compraram à vista os 100 primeiros títulos. O dinheiro foi dado de entrada para a compra do terreno de 40 mil metros quadrados, hoje a 2,5 quilômetros do centro às margens da BR 153. Um ano antes da conclusão do estádio o governo federal baixou um decreto proibindo a comercialização dos planos de sorteios de carros. Temia-se que o Colosso da Lagoa não fosse concluído exigindo muito esforço dos dirigentes para terminar pelo menos o estádio, ficando para quando desse (até hoje não foi possível) a conclusão de um parque esportivo e de lazer.

Início das obras de terraplanagem

Início das obras de terraplanagem

Em 23 de outubro 1964 começaram as obras. Três construtoras de Erechim trabalharam em etapas distintas. O estádio recebeu seu nome popular ao acaso. Por ocasião da 1ª Jornada de Medicina do Interior, um grupo de médicos em visita ao estádio, foi recepcionado com um churrasco no local. O dr. Wilson Wattson Webber, orador oficial do clube, falando em nome do Ypiranga disse: ‘… aqui ergue-se o Colosso da Lagoa…’, referindo-se à obra em andamento onde antes havia uma lagoa. O nome popular foi bem recebido por dirigentes, imprensa e torcedores e assim o Estádio Olímpico do Ypiranga FC passou a ter um nome próprio – Colosso da Lagoa.

Danton Hartmann relatou-me certa feita que a história deveria destacar pelo menos três nomes na construção do Colosso da Lagoa. O dr. Gladstone Osório Mársico, presidente da Comissão Central, Hermes Campagnolo, presidente da Comissão de Finanças, que chegou a ser patrono do clube, e o presidente do Ypiranga naquela época, e que ficou sete anos no cargo tornando-se o presidente que mais tempo ocupou a presidência do clube das Cores Nacionais, Oscar Abal.

Comentava-se que até o general Alfredo Stroessner (presidente do Paraguai na época) teria comprado um título do Ypiranga.

Não resta dúvida que Erechim ficou conhecida nacional e até internacionalmente em razão do estádio. A razão era simples: além do belo estádio que seria entregue, corria a informação que estava por ser inaugurado no País um estádio de futebol onde cabia toda a população da cidade. Quando foi projetado para 30 mil pessoas, moravam na cidade pouco mais de 29 mil pessoas segundo o IBGE. Em 1970 quando foi inaugurado, Erechim já contava com mais de 34 mil habitantes na área urbana.

Mas nem tudo foi paz e amor durante o período de construção do Estádio Olímpico do Ypiranga, como foi amplamente divulgado na época entre os anos 1964 e 1970. Em um determinado momento a Direção do Clube e Comissão Central de Obras viram-se na obrigação de intervir na área responsável pela comercialização de títulos que davam direito aos adquirentes participar de sorteio de prêmios. Ao longo desse período, documentos revelam que o clube chegou a contar ora com 30 mil sócios, ora com 50 mil sócios, deduzindo-se como sócios os adquirentes de títulos que podiam ser encontrados principalmente nos três estados do Sul do País.

Também foram enfrentadas renegociações de preços da própria obra por conta do aumento de preço de materiais e da mão de obra, além da variação de preços nos prêmios distribuídos. Tudo compreensível. Na reta final o Ypiranga foi atingido pela proibição da venda de planos de sorteios de carros.

Exatos dez dias antes da inauguração do Colosso da Lagoa, mais precisamente em 22 de agosto de 1970 (a inauguração ocorreu dia 2 de setembro), a diretoria e as comissões tiveram que fazer empréstimo de emergência de Cr$ 100 mil junto e dois bancos da cidade para garantir a presença do Santos FC na inauguração. A soma seria entregue ao clube paulista antes da equipe comandada por Pelé entrar em campo. Mas nada foi suficiente para quebrar a unidade dos ypiranguistas nem esmorecer a ideia, a concepção, a construção e a inauguração do estádio.

Os 50 anos do Colosso da Lagoa  |  Texto 2

O 1º Jogo – Santos 2 x 0 Grêmio

Era dia 2 de setembro. Ano: 1970. Havia menos de 60 dias que o Brasil conseguira seu maior feito no futebol mundial. A conquista da Jules Rimet em definitivo. O título da Copa do Mundo do México.

Jogadores extraordinários corriam pelos gramados do Brasil naqueles anos. Pesquisas apontam a seleção de 1970 como o 1° ou o 2° melhor time de todos os tempos no mundo.

Em Erechim o Ypiranga F. C. concluía seu majestoso estádio. Um festival de jogos foi organizado, reunindo a maioria dos maiores jogadores em atividade no Brasil. Oito deles eram da seleção tricampeã e viriam para jogar no magnífico estádio.

Quando o 2 de setembro chegou, Erechim tinha 48.677 habitantes. Moravam na cidade 34.517 pessoas. Dizia-se que toda a população cabia no estádio, o que jamais foi verdade e por duas razões: 1) A cidade tinha mais de 30 mil habitantes. 2) Jamais o belo estádio conseguiu receber mais de 25 mil pessoas, configurando como lotação máxima.

Naquela bonita noite já com ares de primavera, Colosso da Lagoa ficou longe da sua lotação máxima. Talvez por conta dos preços considerados altos para os padrões interioranos. Luiz Pungan, patrono do clube e falecido em 2017, lembrou que os carnês para o festival foram colocados à venda por Cr$ 66. Não era barato. Muita gente comprou em prestações. Mas foi um evento inesquecível.

O Santos venceu o Grêmio por 2 a 0. Pelé aos 45 minutos do 1º tempo e Léo aos 35 do 2º tempo marcaram os gols.

O gol 1040 da carreira do Pelé

O gol 1040 da carreira do Pelé

O gol de Pelé foi o 1.040 na sua carreira. Um repórter da equipe esportiva da Rádio Tupi (SP) conhecida como a equipe esportiva 1.040 invadiu o gramado e colocou uma camisa nº 1.040 no “rei” do futebol que também está na história do Colosso da Lagoa como o autor do primeiro gol do estádio.

Os times
Santos: Edevar; Carlos Alberto, Ramos Delgado (Paulo), Djalma Dias e Rildo (Turcão); Léo e Lima (Nenê); Davi, Douglas (Picolé), Pelé e Abel.

Grêmio: Breno; Espinosa (Ivo), Ari Hercílio, Beto e Jamir (Di); Jadir e Everaldo (Paíca); Flecha, Caio, Alcindo e Loivo.

Árbitro: Roque José Gallas.
Renda: Cr$ 200 mil

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