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Universidade de Utah investiga se o muco pode explicar a proliferação do coronavírus

Publicado 4/05/2020 às 09:38

*Pela Agência Einstein

As medidas de prevenção contra o novo coronavírus recomendam que, ao tossir ou espirrar, deve-se cobrir o rosto com a região interna do cotovelo, evitar tocar em superfícies, no rosto e, claro, lavar as mãos com água e sabão ou usar o álcool em gel. Isso porque essas são maneiras de propagá-lo. Agora, pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, querem descobrir se diferentes composições de muco, aquela substância viscosa produzida pelo organismo, desempenham algum papel no alastramento do vírus.

Os especialistas também não sabem responder outra pergunta: por que algumas pessoas podem ser consideradas super disseminadoras do problema? “Nem todo mundo espalha a doença de forma igual”, disse a professora assistente de engenharia biomédica e líder do trabalho¸ Jessica R. Kramer. “A qualidade do muco pode ser parte da explicação. Uma pessoa pode espirrar e transmitir o vírus para alguém e outra, não. Isso não é bem compreendido.”

Entender como diferentes composições das proteínas que constituem o muco difundem coronavírus poderia ajudar a identificar esses “super disseminadores”, assim como aqueles que talvez sejam mais vulneráveis à infecção. Isso levaria à informações mais precisas sobre quem transmitiria em maior volume o micro-organismo e às medidas mais efetivas de quarentena para populações de alto risco.

Os pesquisadores americanos vão criar tipos variados de mucinas sintéticas, as proteínas que entram na receita do muco, e testá-las com versões de coronavírus que não sejam perigosas – sim, existe uma família desse vírus; o da Covid-19 é o mais recente a dar as caras. A pesquisadora Jessica usará aerossóis especiais em um ambiente fechado para simular uma tosse de modo a auxiliar a determinar como as diferentes mucinas carregam o vírus pelo ar.

Será testada também a viabilidade do micro-organismo quando ele aterrissa em uma superfície baseado nas proteínas que o transportam. O time da cientista ainda examinará como a composição da mucina na boca, nos olhos e pulmões da próxima vítima contribui para o micro-organismo se replicar. A “fórmula” da substância viscosa muda de pessoa para pessoa com base em sua genética, fatores ambientais ou estilo de vida, como se é fumante e que tipo alimento ingere.

Essas são algumas das questões que o novo coronavírus está impondo à ciência. Espera-se que as respostas a esta e outras dúvidas cheguem o mais rapidamente possível.

 

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